Segunda-feira, 12 de Março de 2007

- PAIS MAUS

Um dia quando os meus filhos forem crescidos o suficiente para entenderem a
lógica que motiva os pais, eu hei-de dizer-lhes:
Eu amei-te o suficiente... para ter perguntado onde vais, com quem vais e a
que horas regressas a casa.
Eu amei-te o suficiente... para ter insistido que juntasses o teu dinheiro e
comprasses uma bicicleta para ti, mesmo que tenha tido hipótese de ta
comprar.
Eu amei-te o suficiente... para ter ficado em silêncio e deixar-te descobrir
que o teu novo amigo não era boa companhia.
Eu amei-te o suficiente... para te fazer pagar a pastilha que tiraste da
mercearia, e dizeres ao senhor: Eu roubei isto ontem e queria pagar.
Eu amei-te o suficiente... para ter ficado ao pé de ti, 2 horas, enquanto
limpavas o teu quarto; tarefa que eu teria realizado em 15 minutos.
Eu amei-te o suficiente... para te deixar ver fúria, desapontamento e
lágrimas nos teus olhos.
Eu amei-te o suficiente... para te deixar assumir a responsabilidade das
tuas acções, mesmo quando as penalidades eram tão duras que me partiam o
coração.
Mais do que tudo isto, eu amei-te o suficiente... para te dizer não, quando
eu sabia que me irias odiar por isso. Essas eram as mais difíceis batalhas
de todas. Eu estou contente, venci, porque no final vocês venceram também.
E, qualquer dia quando os vossos filhos forem crescidos o suficiente para
entenderem a lógica que motiva os pais, vão dizer-lhes se eles vos
perguntarem se a vossa mãe era má... "sim era má, era a mãe mais má do
mundo.
Os outros miúdos comiam doces ao pequeno-almoço, nós tínhamos de comer
cereais, ovos e tostas.
Os outros miúdos ao almoço bebiam coca-cola e comiam batatas fritas, nós
tínhamos de comer sopa, o prato e a fruta. E, não vais acreditar, a nossa
mãe obrigava-nos a jantar à mesa, bem diferente das outras mães também.
 A nossa mãe insistia em saber onde nós estávamos a todas as horas. Era
quase uma prisão. Ela tinha de saber quem eram os nossos amigos, e o que
fazíamos com eles. Ela insistia que se disséssemos que íamos sair uma hora,
demorássemos só uma hora, ou menos.
Nós tínhamos de lavar a loiça, fazer as camas, lavar a roupa, aprender a
cozinhar, aspirar o chão, esvaziar o lixo e todo o tipo de trabalhos cruéis.
Eu acho que ela nem dormia à noite a pensar em coisas para nos mandar fazer.
Ela insistia sempre connosco para lhe dizermos a verdade, só a verdade e
apenas a verdade. A nossa vida era mesmo chata.
A mãe não deixava os nosso amigos tocarem à campainha para nós descermos, tinham de subir, bater à porta, para ela os conhecer.
Enquanto toda a gente podia sair à noite com 12, 13 anos, nós tivemos de
esperar pelos 16.
Por causa da nossa mãe, nós perdemos imensas experiências da adolescência.
Nenhum de nós, alguma vez, esteve envolvido em roubos, actos de vandalismo, violação de propriedade, nem fomos presos por nenhum crime.
Foi tudo por culpa dela. Agora que já saímos de casa, nós somos todos
adultos, honestos e educados ... Estamos a fazer o nosso melhor, para sermos
"maus pais", tal como a nossa mãe foi."
Eu acho que este é um dos males do mundo de hoje: não há suficientes pais
maus!
publicado por preseminariolisboa às 23:16
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